* Talvi
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Sounds perfect Wahhhh, I don’t wanna

Eu estou exausta, preciso de ajuda. Ninguém percebeu que eu estava desmoronando. Eu estou em silêncio, estou sozinha. Tenho medo até de sentir minha dor.

A casa está cheia, mas não faço parte da vida de ninguém aqui. Eu não quero me culpar por tudo que deu errado, mas só adiei o inevitável.

Eu estou sufocando meu desespero, está estampado em meus olhos e ninguém faz nada. Não consigo mais, não sozinha. Todas as escolhas que fiz foram equivocadas. Eu não me arrependo, mas não posso me perdoar.

Eu estou exausta, preciso de ajuda… Preciso de ajuda…

Frustração

A sala estava sendo inundada pela minha frustração e minha mente se expandia conforme a fumaça perfumava os cantos superiores do cômodo.

Eu estava sentada em um trono miserável, mas miserável em comparação a quê? O mundo estava perecendo sob a praga originada dessa nova Era das Trevas. Não havia medo, a revolta era sutil e a dor era uma opção apenas temporária.

Às minhas costas, aquilo que sempre desejei, cultivado e perpetuado apenas na minha mente, manifestado em meus misteriosos e místicos devaneios, estes que anelavam alucinadamente pelo pecado. A garganta dá um nó apertado, toda a inundação cessa, demonstrando todos os destroços por onde ela passou.

Eu queria ir, silenciosamente ir, mas a idade me tornou mais sensível em relação ao sentimento alheio. Eu possuía dependentes, responsabilidades… E em um momento de lucidez, percebi que depois de tudo eu estava voltando a ser covarde.

- Não queria estar aqui, nada me faria querer estar.

- Certamente não gostaria de voltar, e obviamente não tem para onde ir.

- Não consigo lidar com o que estou sentindo. E sozinha, tudo ainda fica mais difícil. Apenas não aceito, porém, que desdenhe da minha suposta fraqueza.

- E não há fraqueza?

- Não em quem me tornei. Sou uma guerreira, uma arquiduquesa, uma rainha e uma deusa!

- E alguém como você se renderia ao seu pior inimigo?

- Jamais!

- Então não se renda a si mesma.

Eu estava voltando a sentir o peso da existência. Eu estava silenciosa, sozinha, com desejos e frustrações. Ninguém poderia entender além dela que não queria estar aqui. Era injusto, insuportável. Eu continuava silenciosa. Meus demônios gritavam. E inexplicavelmente eu também estava entre eles.

Eu sempre esperei demais das pessoas. Esperava que fossem um pouco mais como eu era com elas. Quando eu não percebia reciprocidade, perguntava a mim mesma se estava fazendo como achava que fazia.

As pessoas diziam que se apaixonaram por mim pelo que eu queria me apaixonar pelas pessoas. No final, eu me apaixonava por uma expectativa.

O tempo passa, nós envelhecemos e aprendemos a abrandar nossos excessos. Compreendemos mais a nós mesmos e exigimos menos das pessoas em volta. Fica mais fácil escolher quando ficar ou partir. Nem tudo é duradouro. Talvez nunca encontremos o que tanto buscamos. O segredo é continuar procurando e não apenas esperando…